Edifício terá foco em longevidade e atendimento de emergência 24h
Fonte: O Estado de São Paulo - Editoria de Negócios
Publicado em 7/2/2026
A Tecnisa prepara um novo edifício de alto padrão no bairro de Higienópolis focado em longevidade e envelhecimento ativo. O projeto chamado Naara Higienópolis é desenvolvido pela incorporadora em parceria com a Naara Longevity Residences, fundada e liderada por Joseph Nigri (filho do fundador da Tecnisa). A obra será realizada pela Think Incorporadora e Construtora. Em vez de ser uma casa de repouso vertical, o edifício residencial integra moradia, serviços de hotelaria e uma camada adicional de cuidados com a saúde, preservando a autonomia dos moradores.
O projeto da Tecnisa com a Naara é o primeiro entre as grandes construtoras de alto padrão do País a adentrar um segmento de mercado que cresce no mundo diante do envelhecimento populacional, o chamado Aging in Place, que tem residências adaptadas para a longevidade dos moradores.
O edifício terá 26 andares e 70 unidades residenciais, com apartamentos entre 94 m² e 140 m², compostos por duas suítes, salas de estar e jantar, cozinha e área de serviço. O público-alvo principal são pessoas que procuram por uma moradia menor, já que os filhos saíram de casa, com praticidade, conforto e suporte ao longo do envelhecimento.
Nos primeiros andares, o projeto contará ainda com estúdios destinados à locação de longa permanência, voltados a um público mais jovem. Segundo Nigri, a proposta é estimular a convivência intergeracional. Para atender ao morador da terceira idade, a concepção arquitetônica do edifício foi desenvolvida com apoio de profissionais especializados em gerontologia, incorporando corredores mais largos, corrimões, pisos adequados e banheiros adaptados.
O principal diferencial do novo prédio da Naara em Higienópolis é a integração de serviços de saúde ao cotidiano dos moradores. O empreendimento terá ambulatório com atendimento de emergência 24 horas, botões de pânico nos apartamentos e dispositivos vestíveis para os moradores (como pulseiras), que permitem monitoramento de dados de saúde. Os serviços oferecidos no prédio também contarão com atendimento de nutrição e fisioterapia. A infraestrutura do condomínio inclui ainda elevador preparado para maca e vaga dedicada para ambulância na garagem.
Atividades de bem-estar, como fisioterapia, hidroginástica, yoga, zumba, além de cuidadores e motoristas compartilhados, poderão ser contratadas sob demanda, ou seja, pagos conforme o uso. De acordo com Nigri, algumas dessas atividades em grupo já podem ser cobradas diretamente junto com a taxa condominial para facilitar o pagamento e conseguir descontos de contratações por grupos.
O empreendimento funciona como um branded residence, oferecendo serviços típicos de hotelaria. A gastronomia será um dos destaques, com restaurante operado pela marca Bé na fachada ativa, com atendimento tanto no salão quanto nos apartamentos. Entre as comodidades estão limpeza, lavanderia e concierge. As áreas comuns incluem piscina, academia com pilates, sauna, jacuzzi, sala de massagem e cinema, além de uma programação social com degustações, palestras, debates e passeios culturais.
Do ponto de vista econômico, o Valor Geral de Vendas (VGV) da parte residencial está estimado entre R$ 150 milhões e R$ 160 milhões. O preço médio do metro quadrado gira em torno de R$ 28,5 mil, com unidades variando entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões. O condomínio mensal estimado é de cerca de R$ 5.500, valor que já contempla a estrutura de saúde 24 horas e as atividades físicas em grupo.
O perfil do público do projeto é de pessoas com idades entre 50 e 60 anos (ou até mais) que querem uma moradia menor e mais moderna sem sair de Higienópolis. “O que temos visto é que os compradores são pessoas do bairro ou que têm filhos que moram no bairro. No Brasil, as pessoas querem estar próximas da família e próximas também dos serviços, dos restaurantes e do shopping. São moradores que não vão ficar só em casa. São pessoas ativas que querem estar perto desses serviços”, diz Nigri em entrevista ao Estadão.
O executivo afirma que Pinheiros será o próximo bairro a receber um empreendimento com características semelhantes ao Naara Higienópolis, com lançamento previsto para o final de 2026. Outros bairros que estão na mira da incorporadora são Jardins, Vila Nova Conceição e Paraíso.
A Tecnisa é a primeira entre as grandes empresas a explorar esse mercado voltado ao público da terceira idade em SP. Segundo Nigri, isso faz parte de uma trajetória de adoção rápida a novas tendências. Em 2001, a empresa passou a usar a internet para vender apartamentos e, em 2012, trouxe ao Brasil o conceito de rooftop residencial aos seus edifícios.
(...)
Tendência global
Diante da inversão da pirâmide etária em muitos países, a criação de edifícios pensados para a terceira idade já é uma realidade em grandes cidades pelo mundo.
De acordo com Gustavo Favaron, CEO global do GRI Institute, cidades como Londres, Paris, Berlim, Nova York, Los Angeles e Miami já têm edifícios feitos com o foco na longevidade dos moradores, oferecendo acessibilidade e serviços de saúde. Assim como em São Paulo, cidades da Índia como Mumbai e Bangalore também estão em ascensão nesse segmento imobiliário.
O especialista diz ainda que Dubai tem se destacado como um hub para empreendimentos de luxo para a terceira idade, com uma grande concentração de expatriados aposentados e uma demanda crescente por serviços de saúde e bem-estar de alta qualidade.
O foco é em projetos imobiliários de alto padrão, visando um nível de cuidado elevado, com serviços de atendimento e adaptações nos apartamentos. “O conceito de ‘viver bem na aposentadoria’ está se tornando mais valorizado no Brasil, especialmente entre a classe alta, que busca um estilo de vida mais confortável e com serviços de saúde e lazer exclusivos. Se há demanda, ou seja, oportunidade, é óbvio que a oferta vai aparecer”, afirma Favaron.
Nigri conta que uma das partes mais importantes para empreendimentos voltados a esse público é o planejamento do edifício para que ele tenha viabilidade econômica e adesão do público. Por isso, a estratégia no primeiro projeto da empresa para esses consumidores teve plantas de tamanhos grandes e ampla oferta de serviços e áreas comuns.
“O senior living é um mercado enorme fora do Brasil, nos Estados Unidos. Muitas pessoas tiveram a ideia ou até tentaram trazer o conceito para cá, mas o modelo do negócio é o grande diferencial. Quando falamos de inovação, falamos da forma como trouxemos isso para cá. O número de dormitórios e o tamanho dos apartamentos. Algumas iniciativas em São Paulo tentaram fazer quartos de 20 m² e as pessoas não aderiram. Não tiveram sucesso”, afirma Nigri.
A chegada dos apartamentos adaptados para idosos a outras camadas sociais, como a classe média e o consumidor de baixa renda, ainda não se tornou realidade no Brasil e em outros países por falta de viabilidade econômica dos projetos, que têm obras mais complexas do que as de prédios comuns — o elevador acessível, por exemplo, é um dos itens mais caros, assim como a ampla oferta de áreas planas que requerem terrenos grandes. Por isso, o mercado imobiliário prevê a necessidade de incentivos públicos para que toda a população tenha acesso a moradias feitas para o envelhecimento saudável.
“No cenário global, já vemos exemplos de projetos de senior living acessíveis em países como os EUA e Reino Unido, onde a verticalização e o uso de tecnologias reduzem os custos, mas mantendo uma boa qualidade. Porém, para a conta fechar, é importante que haja incentivos governamentais ou parcerias público-privadas”, diz Favaron.
O projeto da Tecnisa com a Naara é o primeiro entre as grandes construtoras de alto padrão do País a adentrar um segmento de mercado que cresce no mundo diante do envelhecimento populacional, o chamado Aging in Place, que tem residências adaptadas para a longevidade dos moradores.
O edifício terá 26 andares e 70 unidades residenciais, com apartamentos entre 94 m² e 140 m², compostos por duas suítes, salas de estar e jantar, cozinha e área de serviço. O público-alvo principal são pessoas que procuram por uma moradia menor, já que os filhos saíram de casa, com praticidade, conforto e suporte ao longo do envelhecimento.
Nos primeiros andares, o projeto contará ainda com estúdios destinados à locação de longa permanência, voltados a um público mais jovem. Segundo Nigri, a proposta é estimular a convivência intergeracional. Para atender ao morador da terceira idade, a concepção arquitetônica do edifício foi desenvolvida com apoio de profissionais especializados em gerontologia, incorporando corredores mais largos, corrimões, pisos adequados e banheiros adaptados.
O principal diferencial do novo prédio da Naara em Higienópolis é a integração de serviços de saúde ao cotidiano dos moradores. O empreendimento terá ambulatório com atendimento de emergência 24 horas, botões de pânico nos apartamentos e dispositivos vestíveis para os moradores (como pulseiras), que permitem monitoramento de dados de saúde. Os serviços oferecidos no prédio também contarão com atendimento de nutrição e fisioterapia. A infraestrutura do condomínio inclui ainda elevador preparado para maca e vaga dedicada para ambulância na garagem.
Atividades de bem-estar, como fisioterapia, hidroginástica, yoga, zumba, além de cuidadores e motoristas compartilhados, poderão ser contratadas sob demanda, ou seja, pagos conforme o uso. De acordo com Nigri, algumas dessas atividades em grupo já podem ser cobradas diretamente junto com a taxa condominial para facilitar o pagamento e conseguir descontos de contratações por grupos.
O empreendimento funciona como um branded residence, oferecendo serviços típicos de hotelaria. A gastronomia será um dos destaques, com restaurante operado pela marca Bé na fachada ativa, com atendimento tanto no salão quanto nos apartamentos. Entre as comodidades estão limpeza, lavanderia e concierge. As áreas comuns incluem piscina, academia com pilates, sauna, jacuzzi, sala de massagem e cinema, além de uma programação social com degustações, palestras, debates e passeios culturais.
Do ponto de vista econômico, o Valor Geral de Vendas (VGV) da parte residencial está estimado entre R$ 150 milhões e R$ 160 milhões. O preço médio do metro quadrado gira em torno de R$ 28,5 mil, com unidades variando entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões. O condomínio mensal estimado é de cerca de R$ 5.500, valor que já contempla a estrutura de saúde 24 horas e as atividades físicas em grupo.
O perfil do público do projeto é de pessoas com idades entre 50 e 60 anos (ou até mais) que querem uma moradia menor e mais moderna sem sair de Higienópolis. “O que temos visto é que os compradores são pessoas do bairro ou que têm filhos que moram no bairro. No Brasil, as pessoas querem estar próximas da família e próximas também dos serviços, dos restaurantes e do shopping. São moradores que não vão ficar só em casa. São pessoas ativas que querem estar perto desses serviços”, diz Nigri em entrevista ao Estadão.
O executivo afirma que Pinheiros será o próximo bairro a receber um empreendimento com características semelhantes ao Naara Higienópolis, com lançamento previsto para o final de 2026. Outros bairros que estão na mira da incorporadora são Jardins, Vila Nova Conceição e Paraíso.
A Tecnisa é a primeira entre as grandes empresas a explorar esse mercado voltado ao público da terceira idade em SP. Segundo Nigri, isso faz parte de uma trajetória de adoção rápida a novas tendências. Em 2001, a empresa passou a usar a internet para vender apartamentos e, em 2012, trouxe ao Brasil o conceito de rooftop residencial aos seus edifícios.
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Tendência global
Diante da inversão da pirâmide etária em muitos países, a criação de edifícios pensados para a terceira idade já é uma realidade em grandes cidades pelo mundo.
De acordo com Gustavo Favaron, CEO global do GRI Institute, cidades como Londres, Paris, Berlim, Nova York, Los Angeles e Miami já têm edifícios feitos com o foco na longevidade dos moradores, oferecendo acessibilidade e serviços de saúde. Assim como em São Paulo, cidades da Índia como Mumbai e Bangalore também estão em ascensão nesse segmento imobiliário.
O especialista diz ainda que Dubai tem se destacado como um hub para empreendimentos de luxo para a terceira idade, com uma grande concentração de expatriados aposentados e uma demanda crescente por serviços de saúde e bem-estar de alta qualidade.
O foco é em projetos imobiliários de alto padrão, visando um nível de cuidado elevado, com serviços de atendimento e adaptações nos apartamentos. “O conceito de ‘viver bem na aposentadoria’ está se tornando mais valorizado no Brasil, especialmente entre a classe alta, que busca um estilo de vida mais confortável e com serviços de saúde e lazer exclusivos. Se há demanda, ou seja, oportunidade, é óbvio que a oferta vai aparecer”, afirma Favaron.
Nigri conta que uma das partes mais importantes para empreendimentos voltados a esse público é o planejamento do edifício para que ele tenha viabilidade econômica e adesão do público. Por isso, a estratégia no primeiro projeto da empresa para esses consumidores teve plantas de tamanhos grandes e ampla oferta de serviços e áreas comuns.
“O senior living é um mercado enorme fora do Brasil, nos Estados Unidos. Muitas pessoas tiveram a ideia ou até tentaram trazer o conceito para cá, mas o modelo do negócio é o grande diferencial. Quando falamos de inovação, falamos da forma como trouxemos isso para cá. O número de dormitórios e o tamanho dos apartamentos. Algumas iniciativas em São Paulo tentaram fazer quartos de 20 m² e as pessoas não aderiram. Não tiveram sucesso”, afirma Nigri.
A chegada dos apartamentos adaptados para idosos a outras camadas sociais, como a classe média e o consumidor de baixa renda, ainda não se tornou realidade no Brasil e em outros países por falta de viabilidade econômica dos projetos, que têm obras mais complexas do que as de prédios comuns — o elevador acessível, por exemplo, é um dos itens mais caros, assim como a ampla oferta de áreas planas que requerem terrenos grandes. Por isso, o mercado imobiliário prevê a necessidade de incentivos públicos para que toda a população tenha acesso a moradias feitas para o envelhecimento saudável.
“No cenário global, já vemos exemplos de projetos de senior living acessíveis em países como os EUA e Reino Unido, onde a verticalização e o uso de tecnologias reduzem os custos, mas mantendo uma boa qualidade. Porém, para a conta fechar, é importante que haja incentivos governamentais ou parcerias público-privadas”, diz Favaron.
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Neste empreendimento o projeto de automação e sistemas foi desenvolvido pela Marbie Systems, escritório de projetos com atuação em nível nacional